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Um homem, certa vez, agrediu uma oficial com intuito de voltar a ficar com os amigos. Todos se comoveram com a atitude do sujeito, menos, é claro, a própria oficial.\n\nPôs-se a sentar no ponto de ônibus. O sol a pino e o relógio marcando seis horas. Um dos dois certamente estava errado. Devia ser o sol, o universo esteve errado esse tempo inteiro, conspirando contra ela com todas as suas leis, desde as mais clássicas como a do gato que sempre cai de pé, quanto os adventos da modernidade, tal qual a lei do Murphy: se algo puder dar errado dará.\n\nA vida dela pôde, ela deu e tá tudo errado.\n\n-Moço, que horas tem aí?\n\nAquela expressão. Medo, nojo e todo um discurso pseudointelectual, que não passava de histeria coletiva, era visível nos olhos do homem . Ele hesitou em tirar o celular do bolso. No fim, tirou, apressou o passo e gritou meio-dia.\n\nDevia estar atrasado pro almoço. Ela tentou se enganar.\n\nFitou o objeto em seu pulso. Adiantar ou atrasar os ponteiros não faria diferença. Na prática.\n\nPorém ela queria voltar, atrasar o relógio infinitas vezes e que o sol voltasse seguindo o ponteiro e que o dias seguissem o sol, os meses os dias e por fim tivesse aqueles anos de volta.\n\nO tempo nunca fora tão palpável. Talvez por isso estivesse machucando-a com tal eficiência.\n\nApós tomar consciência dos seus pensamentos, decidiu não atrasar. Era momento de esquecer, adiantar: recomeçar.\n\nComeçar de novo, do zero, melhor, do meio-dia. Fazer diferente, mas agora com a sabedoria adquirida. Nem o universo poderia conspirar contra ela, nem o tempo a iria aprisionar sendo, ou não, tão forte quantas as barras que, por muito, demarcaram seu espaço de vida.\n\nEra isso, adiantar, recomeçar. 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